Operação Dominus mira monopólio do gás do Comando Vermelho

A Polícia Civil e o MPRJ deflagraram a Operação Dominus no Rio de Janeiro, focando em uma organização ligada ao Comando Vermelho.

A ação busca combater a venda irregular de gás de cozinha, onde comerciantes eram forçados a pagar taxas abusivas e seguir metas de venda. O preço do botijão, em algumas comunidades, chegava a R$ 150.

Foram emitidos 9 mandados de prisão e 44 de busca e apreensão. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 350 milhões dos investigados na operação.

Como funcionava o esquema de venda de gás

A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, nesta quarta-feira (28), a Operação Dominus, que visa desmantelar uma organização criminosa associada ao Comando Vermelho. Este grupo se dedicava à venda irregular de gás de cozinha, predominando em comunidades controladas pela facção.

A investigação revelou que empreendimentos locais eram forçados a adquirir gás apenas de fornecedores indicados pelo bando. Comerciantes enfrentavam severas sanções, como violência e ameaças, se não respeitassem as regras impostas pela quadrilha. Essas imposições não apenas restringiam a concorrência, mas também elevavam o preço do botijão de gás para até R$ 150.

O sistema de arrecadação do grupo envolvia taxas chamadas de “metas do gás”, que eram cobradas periodicamente dos comerciantes. Tais cobranças contribuíam para o lucro da organização, que se ampliou além de uma localidade específica, como demonstrou o início das apurações na comunidade do Vai Quem Quer, em Duque de Caxias.

Operação e detidos

Durante a Operação Dominus, foram emitidos 9 mandados de prisão e 44 de busca e apreensão. Os agentes conseguiram prender, até o momento, 4 pessoas, com mais 4 sendo detidas em flagrante.

Entre os presos está Adriano Pereira Vasconcelos Junior, conhecido como Junior Playboy, apontado como o principal responsável pela organização. Ele era visto como um elo entre empresários e o crime organizado, obrigando esses comerciantes a adquirirem gás de sua fornecedora. Outro nome relevante nas investigações é Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefão do Comando Vermelho, que se encontra em fuga.

A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 350 milhões relacionados aos investigados, além do sequestro de bens vinculados a eles. As operações ocorreram em várias localidades, incluindo São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias, Niterói, e na capital, em áreas como Recreio dos Bandeirantes e Taquara.